Em um de seus primeiros atos com consequências globais, como presidente dos Estados Unidos, Trump decretou executivamente a retirada dos EUA do Acordo Transpacífico de Cooperação Econômica – TPP em inglês (Trans Pacific Partnership). Este é um acordo multilateral de comércio entre doze nações, são elas: Japão, Canadá, México, Austrália, Chile, Peru, Malásia, Nova Zelândia, Vietnã, Cingapura e Brunei; mais os EUA, que saíram do Acordo. Se levado a termo, com a adesão dos EUA, este Acordo abrangeria um conjunto que representaria aproximadamente 40% do PIB mundial.
Como uma das principais estratégias comerciais e geopolíticas do ex-presidente Obama, fomentava uma abertura econômica multilateral; foi vetada neste atual governo norte americano, que preconiza uma política de caráter protecionista. Ainda não há uma análise efetiva que demonstre sua continuidade com a saída dos EUA, ressalta-se que para os demais países, a possibilidade de ingressar, sem barreiras, no mercado americano era a principal motivação para a adesão ao Acordo.
De modo geral, de acordo com estudos realizados pela OMC – Organização Mundial do Comércio, o número de acordos comerciais globais alterou-se profundamente nos últimos 25 anos, passando de 51 em 1990, para 279 em 2015. Além de sua expansão numérica, a OMC aponta que no decorrer dos anos estes acordos tornaram-se mais profundos, ou seja, possuem mais regulamentações em relação a temas que vão desde questões ambientais e monetárias até mão de obra e tecnologias. Abaixo o cartograma demonstrando a intensidade destas relações, quanto mais avermelhado mais profundos e complexos são.
Neste contexto, as questões regulamentares e políticas estão muito acima das questões meramente tarifárias, como anteriormente. Hoje, estes acordos multinacionais envolvem a prestação de serviços, investimentos multilaterais, concorrência entre mercados, proteção de direitos de propriedade intelectual, industrial e tecnológica, questões ambientais, trabalhistas e de segurança.
O estudo da OMC ressalta ainda que não só as regulamentações foram modificadas no cenário do comércio global, mas sua intensidade, volume e valor agregado. Neste âmbito, há uma crescente internacionalização da produção e do aumento das cadeias de valor globais.
De acordo com os dados da OMC, a União Europeia é, de todos os 279 acordos vigentes atualmente, o mais profundo e complexo ao abranger 44 domínios políticos que normatizaram desde a movimentação de capitais até a mobilidade de mão de obra entre as nações do bloco. Os acordos comerciais aprofundados, segundo a OMC, aumentam os bens, os serviços e o comércio de valor agregado.
